"A poesia é a carta aberta do coração à emoção de outrem. É a revelação da alma do poeta e segregação do encanto que chega aos olhos da paixão como colírio, e à alma como bálsamo" Silveira Rocha
sábado, 23 de julho de 2011
Por um beijo teu - Silveira Rocha
Por um beijo teu eu vou ao infinito buscar uma estrela; ao fundo do mar apanhar uma pérola; arriscar-me no barranco do abismo para colher a tua flor predileta.
Por um beijo teu, um único beijo, eu escalo o Everest, faço calar o vulcão e seguro nas mãos as tempestades.
Por um beijo teu, intenso e delicado, eu resfrio o sol e faço piscar a luz da lua para cintilar tua imagem na mais bela aquarela.
Por um beijo teu, escancarado, molhado e absoluto, eu recito Camões, toco a melodia imortal e imito Ícaro em seu voo insano.
Por um beijo teu, eu me desfaço do meu eu, mudo de nome e pinto a face com a cor da tua pele, pois se me beijares, eu sei que chego ao céu em vida e me perpetuo como o mais feliz de todos os amantes da terra.
Amor perfeito - Silveira Rocha
O amor é semente que floresce no coração ansioso. É fruto adocicado que sacia a fome do desejo, é fonte jorrando mel, o nascer do eu em ti, o meu caminhar nos teus passos, meu corpo no teu abraço e tua alma no meu céu.
Amor e pensamento - Silveira Rocha
Amor e pensamento
Silveira Rocha
Há pessoas, momentos, frases, lances, coisas que nos abrem as portas do pensamento antigo e libertam as imagens de tudo o que foi marcante, delirante, extasiante, tudo o que se enveredou por nossas veias e se fez chama no coração. As bocas quentes e macias, seus beijos molhados, adocicados, o gosto do santo pecado, as cartas perfumadas, o coração esculpido na árvore, o nome rabiscado na areia da praia, os passeios no fim da tarde, o parque, a sorveteria, o escuro do cinema, o medo de perder a hora, a espera do telefonema, a roupa nova da festa, as bolhas do chiclete, os livros da escola, o encontro casual, o toque sutil das mãos, a ausência, o tempo, as flores, os sussurros, os abraços estreitos, o som do violino, a luz da vela sobre a mesa, as sombras na parede, a saudade depois, tudo, tudo de nós, e mais nada de nós dois.
Nem todo amor é eterno. Porém, as estórias escritas em cada relação jamais o tempo apaga. Elas ficam adormecidas na mente, como arquivo particular do coração.
Viver é a arte de alardear prazer e gemer calado, tudo o que o tempo segrega para embeber a alma.
Assinar:
Comentários (Atom)